Ressurgindo
Eu voltei...agora pra ficar. Porque aqui...aqui é meu lugar! Pois é, eu queria mesmo me mudar pra uma outra cidade, menor, mas fazer o quê? Parece que tudo me prende e me arrasta pra este lugar. Enfim, tá tudo bem...O Anderson tá trabalhando! E isso é maravilhoso! Nem 'tão' quanto eu gostaria, mas à passos de lesma já se pode ter uma esperança. Agradeço a quem torceu e deu um apóio psicológico aí, valeu! Parece que eu tenho uma histórinha da minha vida pra continuar, então lá vai:
Continuando um pouco de minha história desde que meu foguetinho nasceu: Após 5 meses daquele mercado, a irmã do Anderson quis acompanhar o namorado que havia ido pra Campinas. Pediu as contas e me indicou pra ficar no lugar dela na loteria em que trabalhava.Os primeiros dias foram uma comédia em se lembrar: de eu dilacerar as contas dos clientes pra cortar os códigos de barras à sair correndo gritando até a porta atrás de troco que havia passado a mais ou trocar as guias que estavam trocadas de nervosismo.
Graças à Deus, sou corajosa e não tenho medo de tentar. Aprendi em 1 mês á digitar os códigos tão rápido que nem olhava pras teclas da máquina. O que me irritava era umas regrinhas idiotas que tínhamos de cumprir, como: estar atendendo e ter que levantar na hora pra abrir a porta pro próprio dono que não tinha a chave e não queria ser reconhecido como tal (tudo bem, até aí a gente até entendia), mas tinha que mandar o cliente chegar e não gritar ‘o próximo’; era proibido você tentar arrumar o dinheiro no caixa e se organizar, como nos bancos, pra chamar o próximo, tinha que ser The frash e já ir atendendo a outra pessoa com a gerente (que era irmã do dono) do lado te pedindo o dinheiro do caixa e mandando você atender ao mesmo tempo. Dava tanta confusão isso depois...no final do dia faltava R$1000,00, R$2000,00 no caixa que havia sido tirado nessa pressa e hora marcava, hora não. E isso dava um suor frio, porque se não encontrasse o erro, a gente que tinha que bancar, imagina...Fora a pedição de dinheiro pra cobrir conta e aluguel da lojinha de 1 real em frente que era deles também...
Mas pagavam bem e direitinho, me registraram logo e tive salário alimentação, família e hora extra tudo certinho. Não trabalhava aos sábados nem domingos e isso pra mim já era ótimo. Depois que a minha sogra obrigou a filha a se casar com o rapaz pra ir pra Campinas (casou só no civil sem ter nada, a não ser um coordenado de cama casal que comprou no embalo da filha da gerente que também trabalha lá, que tava noiva e sempre fez enxoval, mas minha cunhada só comprou isso. E já namorava há uns 7 anos pelo menos. Só queria saber de comer salgado e coca, passear e comprar roupas e sapatos na mesma boutique que as patroas...), quando ela saiu, sofri rejeição de toda parte. A patroa só sabia chorar a saudades da Cristiane, os clientes só sabiam perguntar daquela baixinha, a japinha; e tinha uns que até se recusavam a serem atendidos por mim! Me sentia tão esmagada que na hora do almoço eu sentava na praça da cidade e chorava tanto, num desespero, me perguntando porquê aquela vida gente, depois de tanto sacrifício pra estudar, ser humilhada por gente de baixa escolaridade, sendo que eu podia ser admirada e respeitada por eles sendo chamada até de ‘doutora’, como é de costume no interior!
Eu tive que agüentar e me conformar. O Anderson passou num vestibulinho pro curso de Eletrotécnico em Furnas, que é gratuito. Eu ajudava pagando o ônibus pra ele estudar e não perder essa oportunidade, sem falar no leite e demais coisas pro Gustavo e pra mim. Fui levando e povo se acostumado. A filha da patroa me deu muito apóio e é um amor de pessoa. Aliviou um pouco a barra.















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